Bloco Associe-se

Associe-se ao Idec

Idec pede esclarecimento sobre coleta de dado facial em loja do Carrefour

A ativação de loja conceito se assemelha ao caso recente da loja Hering e preocupa o Instituto pelo potencial de violar o direito à informação adequada e clara

Compartilhar

separador

Atualizado: 

03/09/2019
Idec pede esclarecimento sobre coleta de dado facial em loja do Carrefour

O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) encaminhou na última quinta-feira (18) uma notificação ao varejista Carrefour solicitando maiores informações sobre o uso de câmeras de reconhecimento facial em uma loja conceito em São Paulo. A iniciativa é vista com preocupação pelo Idec, uma vez que pode incorrer em uma série de violações dos direitos dos consumidores que frequentam a loja.

Logo ao ingressar no Carrefour, os clientes precisam selecionar entre o reconhecimento facial ou a leitura de QR Code, um código de barras que pode ser escaneado pela câmera do celular. Durante a compra, os itens selecionados pelos consumidores são identificados por frequência de rádio e, se confirmada a compra, os valores são descontados diretamente do cartão de crédito do cliente.

Segundo especialistas do Idec, o primeiro ponto de atenção é como o consumidor é informado sobre seus dados recolhidos e como os dados do cartão de crédito utilizados pela empresa são consentidos pelo cliente.

O pesquisador do Programa de Telecom do Idec, Diogo Moyses, alerta ainda sobre a possibilidade do compartilhamento do uso das informações por terceiros. “Como não fica claro o que a empresa fará com esses dados, o consumidor acaba ficando vulnerável a práticas duvidosas, como o compartilhamento de um banco de dados com terceiros, sem consentimento expresso”, sinaliza.

Por fim, o Idec questiona sobre os mecanismos de segurança utilizados pela empresa para proteger os dados dos consumidores e se há algum processo de anonimização das informações coletadas. Confira a carta na íntegra aqui.

Caso é semelhante ao da loja Hering

A notificação ao Carrefour possui um teor similar ao caso recente da loja Hering.  Em fevereiro deste ano, o Idec notificou a empresa de roupas pedindo maiores esclarecimentos sobre coleta e tratamento de dados de clientes em uma "loja conceito" da marca.

O Instituto ficou em alerta pelo potencial que a prática adotada pela empresa tem para violar diversos direitos dos consumidores, como a proteção à segurança, o direito à liberdade de escolha e, principalmente, o direito à informação adequada e clara.

Recentemente, a Hering se pronunciou sobre os questionamentos do Instituto, e no momento, as respostas estão sendo avaliadas por especialistas do Idec.

 

LEIA TAMBÉM

Idec notifica Hering por coleta de dados faciais para publicidade

Metrô de São Paulo cobre câmeras que coletavam dados

Como proteger meus dados na internet?

Talvez também te interesse: