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Idec alerta Senado sobre subsídio da gratuidade a idosos no transporte

A proposta, defendida pelos empresários de ônibus e prefeitos, está presente na PEC dos Combustíveis e outros projetos de lei. O Instituto afirma que a medida coloca em risco o benefício social.

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Atualizado: 

16/02/2022

O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) enviou nesta terça-feira (8/2), uma carta aos senadores com críticas à proposta do governo federal de custear a gratuidade dos idosos no transporte público das cidades. A medida teria como objetivo amenizar a crise financeira que o setor vive, agravada durante a pandemia. Na visão do Instituto, a proposta, elaborada pelos empresários de ônibus, coloca em risco o direito dos idosos e não atinge a raiz do problema.

De acordo com o Idec, o principal problema da proposta é retirar o direito do idoso de circular nos transportes coletivos apenas com a apresentação do documento de identidade. "Este direito está garantido na Constituição. Sua retirada vai dificultar o acesso do idoso ao transporte, e inviabilizar em cidades onde o idoso ainda não tenha o bilhete. É muito equivocada" alerta Rafael Calabria, coordenador do programa de Mobilidade Urbana do Idec.

“A melhor forma de resolver a crise é fiscalizar os custos reais das empresas e pagá-las com base nesses valores”, afirma Calabria. Um eventual socorro financeiro deve ocorrer com contrapartidas de transparência e qualidade do serviço, com regras claras. “Se o subsídio por gratuidade for implementado, as empresas vão receber mais recursos em linhas onde há mais idosos, sendo que não necessariamente são as linhas mais dispendiosas, com maior frequência ou qualidade, ou seja é um formato incoerente de repasse”, completa.

O subsídio federal à gratuidade dos idosos apareceu no projeto de lei (PL) 4392/2021, que agora também vem sendo defendido por prefeitos, além da PEC dos Combustíveis. De acordo com o Idec as principais falhas da proposta são:

1- Exigência de cartão - viabilizar esse formato de repasse exigiria contabilizar o número exato de idosos que circulam nos ônibus. Para isso, propõe-se acabar com o direito do idoso acessar o transporte apresentando apenas o RG, obrigando-o a fazer cartões especiais. Algumas cidades já adotam o cartão para pessoas com mais de 65 anos, mas isso impede que o idoso acesse o benefício quando for a outras cidades. Essa dificuldade prejudica o pleno direito de gratuidade no acesso desse público ao transporte, que é garantido na Constituição. Na visão do Idec, esse é o problema mais grave, que desencadeia vários outros.

2- Custeio imensurável - os idosos acessam o transporte apenas como o RG, não rodam a catraca. Assim, não há como contabilizar com segurança esse público para calcular de forma confiável o valor do custeio. A proposta é baseada em estimativas, o que reforça a visão já existente na sociedade sobre a falta de transparência no setor.

3- Não existe benefício novo - a gratuidade do idoso já é uma realidade. A proposta em questão não produz um novo impacto social, nem traz inovações para a transparência gestão do transporte.  Trata-se apenas de uma injeção de recursos direto para os empresários, sem gerar nenhuma melhoria no serviço.

4- Proposta não resolve o problema - a gratuidade não é um custo para o transporte. Esse argumento mascara um dos principais problemas do setor, apontado há anos: a instituição da tarifa paga pelo passageiro como a única fonte de recursos para bancar os custos do serviço. Isto é, a remuneração das empresas por lotação. O custo real dos empresários não está na quantidade de passageiros transportados, mas nos insumos para viabilizar o serviço, como combustível, veículo, salários dos trabalhadores etc. 

Propostas melhores em pauta

Na carta enviada aos senadores, o Idec destacou projetos de lei que criam soluções melhores para resolver a crise financeira das empresas de transporte público. Entre eles estão o PL 2025/20 (Programa Emergencial do Transporte Social); e o PL 4489/21 (Vale Transporte Social). Ambos prevêm a criação de gratuidades para pessoas de baixa renda.

“Esses programas atrairiam de volta para o transporte público pessoas que estão excluídas pelo alto valor das tarifas. Elas voltariam a se deslocar para procurar emprego, trabalhar, prestar outros serviços, consumir etc. Ou seja, traria um ótimo impacto social e econômico”, destaca Calabria.

Histórico do debate de auxílio financeiro ao setor

A crise no transporte coletivo, com perda de passageiros e encarecimento do serviço, já vinha há anos, mas teve como agravante o isolamento social, necessário para conter a pandemia da Covid-19. Com a queda brusca no número de passageiros pagando a passagem, houve um déficit muito grande, mostrando que o atual padrão de contratação das empresas está esgotado. 

Para garantir a continuidade dos serviços, as prefeituras que puderam, socorreram financeiramente as empresas. Em casos mais graves, as empresas demitiram e deixaram de pagar seus funcionários ou pararam totalmente de executar o serviço, causando greves de trabalhadores e a necessidade de as prefeituras terem de assumir totalmente o serviço de transporte público.

Em dezembro de 2020 o Congresso Nacional aprovou um projeto de lei que previa um auxílio financeiro para o setor, com contrapartidas. O Idec participou intensamente da elaboração do texto. Entretanto, o presidente Jair Bolsonaro vetou a proposta sem apresentar uma alternativa. O Instituto segue em diálogo com o Ministério de Desenvolvimento Regional e com o Congresso Nacional, pressionando por medidas que possam assegurar os direitos dos usuários de transporte público. 

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