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Quando você viaja, a comida entra no roteiro? Assim como no dia a dia, a alimentação pode acabar aparecendo quase sem intenção, decidida no caminho, sem muita atenção ao que está no prato quando estamos visitando um lugar longe de casa. Mas essa é justamente uma ótima oportunidade para repensar tal relação: comer pode ser parte central da experiência, uma forma de conhecer culturas, valorizar territórios e refletir sobre o que chega à mesa!
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A globalização e o avanço dos fast foods e das redes padronizadas têm mudado a forma como viajamos e comemos fora de casa. Em muitas cidades turísticas, os mesmos cardápios se repetem, apagando sabores locais e enfraquecendo tradições alimentares.
Ao sempre optarmos pelo que já conhecemos, deixamos de experimentar ingredientes, receitas e modos de preparo que fazem parte da identidade dos lugares. A viagem perde diversidade, a comida perde sentido.
Essa padronização não afeta só o turismo como também impacta a cultura alimentar, incentiva o consumo de ultraprocessados e enfraquece sistemas locais de produção e oferta de alimentos.
O que a comida revela sobre um lugar
Pratos regionais carregam memória, território e afeto. Eles revelam o clima, os alimentos disponíveis, histórias e saberes transmitidos entre gerações e a relação das pessoas com a terra e a água.
No Brasil, isso aparece no arroz com pequi do Cerrado, no tacacá amazônico, na moqueca feita com peixe fresco, no baião de dois, no pão de queijo mineiro ou no cuscuz nordestino e por aí vai. Cada receita fala de um modo de viver.
Comer essas comidas no lugar onde elas fazem sentido transforma a refeição em experiência cultural.
Comer bem também é viajar melhor
E isso não significa exagero nem sofisticação. Comer bem durante a viagem não depende de restaurantes de várias estrelas ou experiências exclusivas, mas de atenção ao que faz parte da alimentação cotidiana daquele lugar.
Em muitos destinos brasileiros, a base da comida tradicional é formada por alimentos in natura ou minimamente processados, preparados de forma cuidadosa. Essas receitas surgiram e se consolidaram em tempos em que a comida não era padronizada e nem ultraprocessada, antes das soluções rápidas que hoje dominam o consumo.
Arroz, feijão, legumes, verduras, raízes, frutas, peixes, ovos e farinhas locais aparecem em pratos pensados para nutrir, sustentar e aproveitar o que o território oferece.
Essas comidas estão em feiras, mercados, restaurantes populares e cozinhas familiares. Ao escolhê-las, entramos em contato com sistemas alimentares mais saudáveis, acessíveis e profundamente conectados com a cultura e o local.
Dicas para colocar a comida no roteiro
Transformar a alimentação em parte consciente da viagem não exige grandes planos. Basta atenção e curiosidade! Com essas escolhas você já estará vivendo a verdadeira experiência da comida quando viaja:
- Já coloque refeições no planejamento da viagem. Reservar tempo para comer com calma faz diferença.
- Visite feiras livres, mercados municipais e espaços populares de alimentação. Eles revelam o que está na mesa das pessoas que vivem ali.
- Prefira restaurantes tradicionais e aqueles frequentados por moradores. O prato do dia costuma dizer mais sobre a cultura local do que menus turísticos.
- Converse com quem prepara ou vende a comida. Pergunte sobre os ingredientes, a origem dos produtos e as histórias por trás das receitas.
- Tenha curiosidade. Experimente, observe, compare. Saber de onde vem o que está no prato ajuda a entender o território e o sistema alimentar.
O que a gente leva na bagagem
Algumas experiências de viagem não cabem na mala nem na galeria de fotos. Elas ficam na memória, no paladar.
Uma refeição compartilhada, um ingrediente descoberto, uma conversa numa feira ou num mercado dizem muito mais sobre um lugar do que um roteiro apressado. São essas experiências que permanecem e que podem inspirar escolhas mais conscientes no dia a dia.
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E AGORA?
🌳 Quando a floresta cai, ninguém fica de pé
A Moratória da Soja, um acordo entre empresas e organizações não governamentais (ONG) para impedir a compra de soja produzida em áreas desmatadas na Amazônia, chegou ao fim. Isso significa que oito milhões de hectares de floresta, uma área do tamanho da Irlanda, agora podem ser derrubados legalmente. Os impactos disso a gente já sabe: o aumento da devastação da Amazônia, a piora da crise climática, a redução da sociobiodiversidade e o aumento do preço da comida. A floresta não pode ficar refém do mercado e é por isso que lutamos por políticas públicas fortes e permanentes de proteção do meio ambiente e dos nossos direitos. Entenda mais sobre essa história, compartilhe, não deixe isso pra lá. Idec
SUPER BOWL
👏 Do palco ao prato: a celebração das culturas
Essa semana rolou uma apresentação histórica do Bad Bunny no Super Bowl, você viu? No maior palco do entretenimento que ocorre nos Estados Unidos e é assistido pelo mundo todo, o artista celebrou as culturas e os países das Américas e transformou o show em um manifesto de identidade, diversidade e pertencimento. Essa valorização cultural também passa pela comida. E falar de alimentação saudável é defender culturas alimentares, saberes tradicionais, ingredientes locais e comida de verdade. Valorizar o que somos, no prato e fora dele. CNN
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Lucas Rodarte
Guia de turismo na Chapada dos Veadeiros na @rodarteecotur
Aqui na Chapada dos Veadeiros achamos muito importante trazer quem visita para a realidade local. A região dos Kalungas abriga o maior território quilombola do país e basicamente todos os ingredientes dos restaurantes locais são produzidos lá. Servem comidas comuns, mas com preparos especiais. Muitas pessoas vêm das cidades grandes e aqui se surpreendem com o coração da banana, um prato que conta a história de resistência e subsistência de lugares onde não se tem acesso a mercados e restaurantes.
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A folha que tempera
A capeba, também conhecida como pariparoba, é uma planta alimentícia não convencional (PANC) encontrada no Norte e no Centro-Oeste do Brasil, mas também presente em áreas do Sudeste, especialmente em regiões de Mata Atlântica. Tradicional em quintais, roças e sistemas agroflorestais, é uma folha aromática, de sabor marcante, que faz parte do repertório alimentar de muitas comunidades, mesmo sem grande presença nos mercados.
Na cozinha, a capeba é uma folha versátil. Pode entrar em sopas, refogados e caldos, além de ser usada para envolver recheios, formando charutinhos que perfumam o preparo. Usada fresca, libera aroma durante o cozimento e combina bem com receitas simples, feitas na panela, valorizando o uso de plantas próximas de casa e a diversidade da comida brasileira.
É pequena mas é valente
A pimenta vermelha está presente em cozinhas de todas as regiões do Brasil, com variedades e usos que mudam de acordo com o território. Malagueta, dedo-de-moça, bode ou de cheiro: mais do que ardor, elas carregam identidade cultural e ajudam a definir sabores regionais. Em muitos lugares, a pimenta é cultivada no quintal e passada de mão em mão, junto com receitas e costumes.
Na prática, a pimenta vermelha pode aparecer fresca, seca, em conserva ou moída, sempre em pequenas quantidades, para realçar o prato sem esconder os outros sabores. Usada com cuidado, transforma preparações simples do dia a dia e dispensa molhos prontos ou temperos industrializados. É um ingrediente pequeno, mas com enorme papel na comida feita em casa.
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Geleia de pimenta
Nem só de frutas se faz uma geleia! Essa de pimenta fica docinha e picante, cai muito bem com queijo, além do uso tradicional em torradas, iogurtes etc.
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Pasta de berinjela
O interior da berinjela com temperos não tem pra ninguém! Essa pastinha é simples de fazer e deliciosa.
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