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Comissão do Senado aprova PL que altera a rotulagem de transgênicos

Texto foi votado hoje após manobra de parlamentares para incluí-lo nas discussões sem que estivesse na pauta oficial

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Atualizado: 

16/10/2017

Nesta terça-feira (19), a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado aprovou o PLC (Projeto de Lei da Câmara) 34/2015, que altera a rotulagem de transgênicos no Brasil. 

De acordo com a proposta, apenas alimentos e rações que contenham 1% ou mais de OGMs (organismos geneticamente modificados) em sua composição, detectados em análise, serão obrigados a informar a presença do ingrediente. Contudo, o símbolo “T” será removido dos rótulos de todos os produtos. 

Para Idec, a aprovação representa um grave retrocesso e uma afronta aos direitos dos consumidores, ao impedir que o consumidor tenha informação clara e precisa nas embalagens. 

Além disso, o Instituto considera que a análise é imprecisa e pode mascarar a quantidade de OGM nos alimentos.“Alguns produtos poderiam alegar que são livres de transgênicos, mesmo contendo o ingrediente, simplesmente porque o procedimento não detectou a presença de OGMs”, afirma Igor Britto, advogado do Instituto. 

A proposta foi aprovada a partir de uma manobra conhecida como extrapauta. Com a ação, o relator do PLC na comissão, senador Cidinho Santos, apoiado por outros parlamentares, conseguiu incluir o projeto na discussão do dia, sem que estivesse na pauta oficial, que é divulgada com dois dias de antecedência.  

Segundo Britto, os senadores esconderam da população a intenção de realizar a votação, e aproveitaram da ausência de parlamentares da oposição para que o PL fosse aprovado. “Ignoraram todos os protestos e repúdios registrados por dezenas de milhares de consumidores, estudiosos e órgãos públicos de todo o país. Em uma fração de apenas dois minutos, o PLC 34/2015 teve seu relatório apresentado, votado e aprovado pelos senadores presentes”, repudia o advogado.

Com a aprovação na Comissão de Agricultura, o projeto será encaminhado para a Comissão de Assuntos Sociais, atualmente presidida pela senadora Marta Suplicy. 

T no rótulo

Não é a primeira vez que uma manobra tenta retirar o símbolo T das embalagens. No final de agosto, por exemplo, a imprensa divulgou que o presidente Michel Temer poderia assinar a qualquer momento um decreto, preparado pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), para retirar a obrigação de uso do símbolo T no rótulo dos alimentos e rações animais.

Na ocasião, o Idec requereu que Temer não assinasse tal decreto, ressaltando que a proposta era inconstitucional. Além disso, sustentou que mais de 15 mil pessoas já se manifestaram no portal do Senado defendendo a rejeição do PLC.

Desde 2008, o Instituto mantém uma campanha contra o fim da rotulagem de transgênicos. A ação já coletou 94 mil assinaturas.