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Ventiladores têm problemas de segurança, revela teste do Idec

Os oito aparelhos avaliados não cumprem todas as normas técnicas e expõem o consumidor a riscos, como há 15 anos

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Atualizado: 

03/08/2011

Em muitas cidades do Brasil faz calor o ano inteiro, mas, em fevereiro, especialmente, os termômetros têm registrado temperaturas altíssimas, o que aumenta a procura dos consumidores por ventiladores de mesa. Assim, o Idec quis saber se os aparelhos, além de úteis para amenizar o calorão desse país tropical, são seguros, e testou oito aparelhos de seis fabricantes nacionais.

O resultado, no entanto, não foi nada satisfatório: todos os modelos falharam em pelo menos um quesito de segurança, apresentando riscos semelhantes à avaliação feita pelo Idec com ventiladores há 15 anos.

Além disso, mais da metade das marcas tem problemas em relação às informações dadas ao consumidor, tanto na embalagem quanto no manual de instruções.

A análise foi realizada entre outubro de 2009 e fevereiro deste ano com as marcas Arno (Alívio VE30), Britânia (Ventus Protect 30), Faet (Eurus 1042 e Clima II 1052), Mallory (Boreal 14450), Mondial (NV-03 e NV-31), Ventisol (VOM30cm).

Os ensaios de segurança elétrica foram realizados nos Laboratórios Especializados em Eletro-Eletrônica (LABELO), da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Como a regulamentação específica de eletrodomésticos ainda não está em vigor e não contempla os ventiladores de mesa, o teste foi baseado nas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que, por sua vez, se apoia em regras internacionais de segurança elétrica.

Riscos
Dentre os problemas de segurança identificados nos ventiladores, o pior deles é o risco de contato com as hélices e com o mecanismo de oscilação (que confere movimentação ao aparelho), permitido por frestas com espaço suficiente para entrar um dedo de um adulto.

Os acidentes decorrentes de tais falhas podem acontecer facilmente se o consumidor tentar fazer ajustes no aparelho em movimento e as consequências podem ser ferimentos graves. "Esses problemas representam um risco real no uso do produto para o consumidor, crianças e animais domésticos", alerta o engenheiro elétrico Marcos Pó, assessor técnico do Idec e responsável pela pesquisa.

Com exceção do modelo da Arno, todos os outros ventiladores apresentam perigo de acesso ao mecanismo de oscilação e metade dos modelos (os dois da Faet e o Ventisol) tem risco de contato com as hélices.

O ventilador Arno, no entanto, foi reprovado no teste de resistência ao calor e ao fogo, o que pode acarretar em um princípio de incêndio caso haja um aquecimento excessivo do equipamento.

Além disso, verificou-se que cinco aparelhos (os dois modelos da Faet, os dois da Mondial e o da Ventisol) apresentam riscos de choques elétricos, pois não oferecem a proteção adequada contra de contato com as chamadas "partes vivas", como a fiação do motor.

Informações falhas
Além dos graves problemas de segurança, alguns ventiladores também são falhos em relação à qualidade das informações dadas ao consumidor, característica fundamental para uma boa utilização do produto.

Os aparelhos da Mondial e da Faet sequer têm manual de instruções, relegando as informações sobre o produto apenas nas embalagens.

O modelo da Mallory até tem manual, mas as instruções contidas são insuficientes para a correta instalação e operação do equipamento. Além disso, as marcações presentes no corpo do ventilador (que indicam o nível de velocidade etc) não são duráveis, o que pode prejudicar o uso do produto.
Já o Britânia possui apelos enganosos e perigosos na embalagem, como, por exemplo, a imagem de um bebê manuseando o ventilador.

Além disso, apesar de dentro dos limites de variação estabelecidos pela legislação (até 20% para mais e sem limite para menos), houve diferenças significativas em relação à potência declarada no produto e a medida no teste. O Mallory, por exemplo, apresentou uma diferença de 24% a menos em relação ao valor indicado ao consumidor.

15 anos depois
Em 1995 o Idec já havia feito um teste com ventiladores, que também apresentou resultados bem ruins. Apenas três dos 11 modelos avaliados naquela ocasião ofereciam proteção contra o acesso à hélice, o que se devia, em grande parte, à ausência de regulamentação que determinasse a proteção. Hoje, embora a legislação obrigue, o problema ainda persiste em metade dos aparelhos.

Além disso, os ventiladores pioraram em no aspecto de proteção contra choques elétricos: o risco de acesso às partes vivas só foi identificado em um dos aparelhos há 15 anos. Dessa vez, o teste detectou o problema em quatro ventiladores. A Britânia, que fora reprovada naquela ocasião, pelo menos, aprendeu a lição: desta vez a marca está adequada nesse quesito.

Ao comparar os testes, destaca-se que embora a legislação do setor tenha melhorado, o consumidor permanece em risco, pois as empresas descumprem as normas de segurança estabelecidas. "A inobservância dos fabricantes às normas técnicas reforça a importância de certificação do produto", aponta Marcos Pó.

O Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) colocou em consulta pública em maio do ano passado uma proposta de certificação compulsória dos ventiladores, mas, até agora, não houve nenhum desdobramento. O Idec vai cobrar do órgão a regulamentação.

EMPRESAS RESPONDEM
Dos oito fabricantes envolvidos no teste, apenas quatro responderam.

Arno: disse que não foi identificado problema em relação à resistência ao calor e fogo nos testes realizados em seu laboratório, mas que, em razão da inconformidade apontada pelo Idec, vai reavaliar o componente.

Faet: informou que vai reparar o problema em relação à estabilidade do produto durante o uso, que já alterou as grades para impedir o contato com as hélices. A empresa disse ainda que já encontrou a solução para impedir o acesso às partes vivas nos aparelhos, mas discorda que haja risco para o consumidor, visto que está informado no manual de instruções que para qualquer manutenção o aparelho deve ser retirado da tomada.

Para o Idec, contudo, a norma é clara ao estabelecer proteção contra o acesso às partes vivas. Além disso, apesar da advertência (que fica apenas na embalagem do produto), é razoável supor que o consumidor pode inadvertidamente usar o produto em situação de risco.

Mondial e Ventisol: afirmaram que estão adequando seus produtos em relação aos problemas apontados pelo Idec e à proposta de certificação do Inmetro.

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