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Garantir que a escola seja um espaço de comida de verdade é proteger um dos ambientes mais importantes da infância. É ali que muitas crianças fazem parte significativa das refeições da semana, constroem referências e formam hábitos que podem durar a vida toda.
Quando o ambiente favorece alimentos in natura e minimamente processados, estamos fortalecendo saúde, aprendizado e qualidade de vida.
Esse movimento já está acontecendo em várias partes do país. A conquista mais recente veio do Ceará, que aprovou uma lei histórica proibindo a venda de ultraprocessados nas escolas e seu entorno e promovendo a alimentação adequada e saudável no ambiente escolar. Outros estados e municípios também já adotaram medidas semelhantes. E cada nova legislação reforça que estamos avançando na direção certa.
Agora, além da mobilização e da convicção, temos ainda mais evidências para sustentar essa política.
Quando a regra muda, o resultado aparece
Um estudo do GEPPAAS (Grupo de Estudos Pesquisas e Práticas em Ambiente Alimentar e Saúde) da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) com mais de 19 mil adolescentes das capitais brasileiras mostrou que estudantes expostos a leis que restringem a venda de alimentos e bebidas nas escolas apresentaram 11% menos chance de obesidade.
Outro estudo, do Nupens/USP (Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde) confirmou que a existência de normas regulatórias nas capitais brasileiras atua como fator de proteção contra o consumo de ultraprocessados entre adolescentes. Onde há regra, há menos consumo. Onde há mais oferta, há mais ingestão.
Ou seja: o ambiente influencia e muito.
Evidência feita por nós, para mudar a realidade
Para aprofundar essa discussão, nós, em parceria com o Nupens/USP, realizamos um estudo que foi divulgado recentemente sobre os impactos da regulação do ambiente escolar.
Analisando dados nacionais e projetando cenários, mostramos que proibir a venda de ultraprocessados nas escolas pode reduzir a prevalência de obesidade entre adolescentes em até 8% ou 9%, dependendo da abrangência da medida. Também há redução significativa no consumo de açúcar e na ingestão calórica diária.
Isso significa que essa medida não é simbólica nem exagerada. Ela é eficaz. Ela protege. E pode gerar impactos duradouros na saúde pública.
Mais do que apontar o problema, apresentamos evidências concretas de que a solução funciona.
A luta continua e precisa de nós
Cada lei aprovada, como a do Ceará, é uma vitória. Mas em boa parte do país ainda não há restrição da venda de ultraprocessados no ambiente escolar e nossa luta segue para que essa seja uma realidade em âmbito nacional.
Além disso, sabemos que aprovar é apenas o começo. É preciso regulamentar, implementar, fiscalizar e garantir que a política funcione na prática.
Também sabemos que há pressão contrária. A indústria de ultraprocessados não abre mão facilmente desses espaços. Por isso, precisamos seguir na mobilização, produzindo evidências, dialogando com gestores e gestoreas e fortalecendo a participação e o apoio social.
Para apoiar esse processo, temos as publicações Escolas Saudáveis: um conjunto de guias práticos para gestores, estados e municípios com orientações, caminhos legislativos e estratégias para transformar a norma em realidade concreta nas escolas.
Baixe gratuitamente, utilize, compartilhe com sua rede e nas escolas da sua região.
Porque quando mudamos o ambiente, mudamos escolhas. E quando mudamos escolhas, mudamos o futuro.
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