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Planos de saúde baratos têm rede de atendimento reduzida, aponta pesquisa do Idec

Número de hospitais é, em média, 62% menor nas opções baratas em comparação com o plano mais completo da mesma operadora. Esse e outros fatores de barateamento podem resultar em um serviço que não atende adequadamente o consumidor

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Atualizado: 

22/08/2017

O Idec fez uma pesquisa inédita sobre planos de saúde com preços abaixo da média de mercado ofertados na cidade de São Paulo (SP). O levantamento identificou 118 planos, de 27 operadoras, e  verificou que os “planinhos” têm rede de atendimento reduzida e abrangência restrita, principalmente entre operadoras de maior porte. 

Por meio de consultas ao site das empresas e contatos com corretores, a pesquisa comparou o número de hospitais dos planos baratos com o dos mais completos oferecidos pela mesma operadora – o que foi possível em 17 das 27 empresas – e constatou que eles dispõem de uma rede 62,1% menor, em média. 

No caso mais extremo, o número de hospitais disponíveis para os consumidores dos planos mais baratos de determinada operadora corresponde a apenas 4% do que existe em sua opção top de linha: são apenas três para os primeiros, contra 69 para os segundos.

Atendimento comprometido

Entre as conclusões da pesquisa está a de que o mercado já oferece planos de saúde muito similares à proposta de planos populares – atualmente em análise técnica pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). 

Os planos baratos analisados pelo Idec não são iguais aos planos “acessíveis” propostos pelo Governo  – já que os baratos são obrigados a cumprir exigências legais como qualquer outro plano  –, mas eles dão uma pista do vai acontecer se a proposta for considerada viável pela ANS.

“A proposta de planos acessíveis não visa baratear o valor do plano, mas apenas fornecer uma justificativa mascarada para a alteração das regras que protegem o consumidor”, explica a pesquisadora e advogada do Idec Ana Carolina Navarrete, responsável pelo levantamento. 

A pesquisa do Idec aponta ainda que o uso de coparticipação (em que o consumidor paga pelo procedimento, além da mensalidade) no universo dos planos pesquisados, gera uma economia de apenas 22,8% no preço da mensalidade. A economia seria pequena, se considerarmos que o consumidor teria que pagar ao menos 50% do valor do procedimento, segundo a proposta do Ministério da Saúde.

A conclusão da pesquisa é que os planos baratos implicam em fatores que comprometem a cobertura, tais como rede reduzida, abrangência restrita, coparticipação para restringir uso ou co-custear o tratamento e predomínio de contratação coletiva, que tem reajustes mais flexíveis. A combinação desses fatores pode resultar em um serviço que não atende adequadamente às necessidades do consumidor. “O máximo de acesso que esses planos garantem é o acesso à contratação, e não à cobertura” finaliza a advogada.

Metodologia

A pesquisa do Idec avaliou os planos de saúde ofertados nas faixas etárias com maior número de usuários, de acordo dados da ANS de setembro de 2016. Foram incluídos na avaliação planos com valor abaixo de R$ 303 (para a faixa de 29 a 33 anos) e R$ 336 (dos 34 a 38 anos). 

A coleta das informações se deu entre os meses de janeiro e março deste ano. Entre as características consideradas estão: modalidade (individual ou coletiva), segmentação, área de abrangência, existência de franquia e coparticipação, rede credenciada e eventuais reclamações feitas para a ANS.

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