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Brasil tem problema grave de fornecimento de energia elétrica

Estudo realizado pelo Idec revela que Norte e Centro-Oeste são as regiões mais afetadas pela falta de energia entre 2011 e 2017

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Atualizado: 

13/08/2018

Se você já se sentiu forçado a jantar à luz de velas por conta de uma queda de energia, saiba que não é o único. De acordo com uma pesquisa divulgada em julho pelo Idec, o fornecimento de energia elétrica é um problema comum em todo o Brasil.

O estudo considerou dados de todas as 91 distribuidoras de energia do País, que atendem 81 milhões de UCs (unidades consumidoras). Foram feitas análises nacionais e regionais no período de 2011 a 2017 do número de UCs ao longo dos anos, da quantidade de unidades afetadas pela violação dos indicadores de continuidade de serviço - considerando o DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) e o FEC  (Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) - e do valor limite dos indicadores. Os dados foram retirados do site da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

O problema é que o limite médio para esses dois indicadores pode variar bastante, pois são definidos pela agência para os conjuntos elétricos das distribuidoras considerando vários fatores, como densidade das unidades consumidoras, o mercado de energia, a vegetação da área, o índice pluviométrico, entre outros.

Nível satisfatório de qualidade (DEC) por UCs em 2017


Fonte: Idec, com base nos dados da Aneel

Fonte: Idec, com base nos dados da Aneel

De forma geral, o levantamento constatou que o Norte e o Centro-Oeste do País sãos as regiões cuja qualidade do serviço prestado é menos adequada. Ou seja, enquanto um morador do Amazonas pode ficar até 48h seguidas e 45 vezes por ano sem energia, uma pessoa de São Paulo fica, no máximo, sete horas seguidas à luz de velas, seis vezes por ano.

Questionada sobre essa diferença gritante entre conjuntos elétricos, a Aneel afirmou que a metodologia comparativa da agência mostra que há redução da diferença com o passar do tempo. Contudo, não existe uma previsão para que todas as regiões do Brasil tenham um mesmo limite. Uma das razões são as sensíveis diferenças do padrão de rede, da infraestrutura e das características de atendimento.

A agência também reforçou que os limites são estabelecidos levando em conta as realidades distintas do País. Por essa razão, os limites para conjuntos elétricos da região Amazônica são, de fato, diferentes dos de grandes áreas metropolitanas.

Qualidade desigual

O objetivo da Aneel é realizar a gestão do fornecimento do serviço e da estrutura física do sistema como um todo. Porém, os conjuntos elétricos possuem diferentes condições ambientais e de infraestruturas e, consequentemente, vulnerabilidades que influenciam as interrupções no fornecimento de energia. E, como o número de unidades consumidoras tem crescido - cerca de 1,9 milhão unidades novas todos os anos - as fraquezas ficam mais expostas.

O crescimento do Norte do País entre 2011 e 2017 foi de 5,7% ao ano, sendo a região que mais cresceu. Contudo, junto com esse crescimento, as quedas foram aumentando. Em 2017, por exemplo, Roraima foi considerado o pior estado do Norte. 100% das unidades consumidoras tiveram quedas de energia no período. No Centro-Oeste, o segundo estado com maior crescimento de UCs, o estado mais crítico foi Goiás, onde quase todas as unidades sofreram com as paradas na rede.

Entretanto, não são só essas duas regiões que sofrem com as quedas de energia. Sul e Sudeste têm em comum o ano de 2014 como o período com mais corte de fornecimento. Depois, houve melhora nos índices, mas Rio Grande do Sul e Espírito Santo ainda são destaques negativos.

O Nordeste também melhorou os índices de falta de energia até 2015, com queda no ano seguinte. Em 2017, contudo, nova subida perturbou a região. Alagoas, Bahia, Pernambuco e Piauí foram os Estados mais atingidos, enquanto o Maranhão tem visto as interrupções diminuírem ao longo dos anos.

Sobre a piora dos índices nos últimos anos por região, Estado e concessionária, a Aneel garante que, nos últimos dois anos, de acordo com números apresentados pelas distribuidoras, o desempenho do DEC e do FEC tiveram “sensível melhoria”. Contudo, como a análise feita pelo Idec considerou o período de sete anos, foi identificada melhora no Norte, principalmente no Pará, e no Sudeste – com exceção de São Paulo – e piora no Centro-Oeste, no Sul e no Nordeste.