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Setor de saúde suplementar registra lucro recorde e Idec reforça necessidade de avanço na proteção ao consumidor

De acordo com dados divulgados pela ANS no Painel Econômico-Financeiro, o lucro líquido do setor foi de R$ 24,4 bilhões em 2025

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Atualizado: 

13/04/2026

De acordo com dados divulgados pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) no Painel Econômico-Financeiro, o cenário recente da saúde suplementar evidencia um resultado econômico expressivo, com lucro líquido de R$ 24,4 bilhões em 2025, o maior da série histórica e o maior lucro agregado desde 2018, acompanhado de crescimento relevante das receitas do setor. Em 2025, o resultado líquido registrou aumento de quase 120% em relação a 2024. Paralelamente, observa-se, ainda, menor sinistralidade acumulada por ano desde 2021, indicador que mede a relação entre os custos com atendimentos, como consultas, exames e internações, e as receitas obtidas com as mensalidades, indicando uma possível melhora no equilíbrio econômico-financeiro do setor.

Esses dados reforçam não haver ameaça de colapso econômico ou evidência de desequilíbrio estrutural no mercado de planos de saúde. Ao contrário, observa-se um contexto de elevada robustez financeira e forte interesse de grandes grupos econômicos. Eventuais dificuldades enfrentadas por operadoras devem ser analisadas caso a caso, sendo certo que a agência reguladora dispõe de mecanismos para atuação, inclusive com a possibilidade de transferência de carteiras, visando à proteção dos consumidores.

Diante desse contexto, especialistas destacam a importância de qualificar o debate público sobre o setor. A elevada rentabilidade precisa ser compatibilizada com a efetiva garantia dos direitos dos consumidores. Os resultados positivos devem se refletir em melhorias concretas, como maior qualidade no atendimento, transparência nas informações, adequação nos reajustes — especialmente nos planos coletivos — e facilitação na resolução extrajudicial de conflitos.

A proteção do consumidor, além de obrigação legal, é plenamente possível diante do contexto atual. No entanto, a realidade ainda revela um descompasso relevante, já que a saúde suplementar permanece entre os setores mais reclamados, inclusive no Poder Judiciário, evidenciando que os ganhos financeiros não têm sido acompanhados por avanços proporcionais na qualidade dos serviços e no respeito aos direitos dos usuários. 

Para o Idec, esse cenário reforça a necessidade de aprimoramento contínuo da regulação e das práticas do setor, com foco na efetiva garantia dos direitos dos consumidores.