Bloco Associe-se

Associe-se ao Idec

Você entende os rótulos dos alimentos? Veja o que é importante observar

Tamanho da letra, uso de termos técnicos e poluição visual costumam ser os maiores problemas

Compartilhar

separador

A Tribuna

Atualizado: 

17/08/2017

Você costuma ler os rótulos nas embalagens dos produtos? Entende o que dizem? De fato, a tarefa não é simples. Interpretar números e nomes diferentes dos que usamos no cotidiano exige um pouco de conhecimento nutricional.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), entre junho e julho de 2016, aponta que 25% das pessoas entendem totalmente o que está escrito na tabela nutricional e os ingredientes que constam nos rótulos. Outras 35% compreendem quase totalmente e 31%, parcialmente. Já 8% dos entrevistados disseram que compreendem muito pouco o que está escrito e 0,4%, nada.

Em enquete realizada por A Tribuna On-line, em que 478 leitores participaram, 51% dos internautas informaram que costumam ler os rótulos, 32% leem às vezes e 16% não prestam atenção a esse tipo de informação. 

Tamanho da letra, uso de termos técnicos e poluição visual do rótulo são fatores apontados pelos entrevistados que demonstraram dificuldades em compreender as embalagens. 

Segundo Resolução nº 259 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de 2002, as informações nos rótulos devem ser apresentadas com tamanho não inferior a 1 milímetro e devem ter cor contrastante ao fundo da embalagem. 

Para facilitar o entendimento dos rótulos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) sugeriu simplificar alguns dados para os consumidores. Países como Reino Unido e Austrália já apresentam algum tipo de informação nutricional na frente da embalagem, como açúcar, gordural e sódio.

Informação é aliada contra obesidade

Diante do aumento da obesidade entre os brasileiros, conforme estudo divulgado pelo Ministério da Saúde, apontando crescimento de 42,6%, em 2006, para 53,8% em 2016, atentar para as propriedades dos alimentos tem se tornado cada vez mais necessário.

Mas, para a nutricionista pós-graduada em obesidade e emagrecimento Geórgia Hegedos, ainda falta muita informação sobre a qualidade dos alimentos. "Muita gente sabe da necessidade de olhar as calorias, contudo, por vezes, esquece de checar os ingredientes. É aí que mora o perigo", esclarece. 

Os rótulos devem conter, obrigatoriamente, informações em quantidade por porção e em porcentagem. Além de valor energético, carboidratos, proteínas, gorduras totais, gorduras saturadas, gorduras trans, fibra alimentar e sódio. 

De acordo com Geórgia, o primeiro item descrito é o mais abundante do produto, o que já indica se ele é adequado para o consumidor. A caloria é a energia que o alimento fornece para o organismo. Neste quesito, o alerta é observar a porção apresentada.

"Às vezes, o pacote tem 100 gramas, mas, as calorias correspondem a uma porção de 30 gramas, por exemplo. Como não há uma padronização, na hora de comparar alimentos, é preciso calcular a proporção de uma marca para outra", ensina. 

Na hora da comparação, deve-se ficar atento as
porções de cada marca (Foto: Claudio Vaz/ AT)

O que é importante observar?

Para quem é hipertenso, as atenções devem estar direcionadas à quantidade de cloreto de sódio, que é o sal, muitas vezes presente em grande quantidade em produtos industrializados .De acordo com a OMS, o ideal é ingerir entre 4 a 6 gramas de sal por dia.

Quem está querendo evitar o açúcar ou é diabético deve observar a relação dos ingredientes primeiro. Maltodextrina, açúcar invertido, mel e glicose de milho, por exemplo, são açúcares, de acordo com Geórgia, mas aparecem na tabela nutricional, por vezes, como carboidratos. O ideal, conforme a OMS, é o consumo de até 25 gramas de açúcar por dia, o equivalente a seis colheres de chá.

Já a compreensão de como a gordura é apresentada  nas embalagens é um pouco mais complexa. Ela está definida em três tipos: saturada, insaturada e trans e cada uma tem um significado.

A saturada é proveniente de produtos com gordura animal, como queijo, manteiga e carnes. O tipo insaturado é o mais saudável, segundo Geórgia, porque eleva o nível de lipoproteína de alta densidade no sangue - o colesterol bom. Alguns exemplos são o azeite, abacate, óleos vegetais e nozes. 

Já a gordura trans é a mais perigosa para saúde, pois, em excesso, causa doenças cardiovasculares. Ela é pouco comum na natureza e, na maioria das vezes, é produzida a partir de gorduras vegetais. Podemos encontrá-la em biscoitos, salgadinhos, frituras e molhos de salada.

Vale destacar que, quando a quantidade de gordura trans for inferior a 0,2 gramas por porção, a informação pode ser omitida das embalagens. 

As fibras alimentares são os componentes que estimulam o funcionamento intestinal. Por isso, quanto mais, melhor. Por dia, são recomendadas 30 gramas. 

Entretanto, Geórgia alerta que muitos rótulos dizem que os produtos são ricos em fibras, mas não são. Segundo ela, uma ''comida de verdade", ou seja, alimentos naturais, como frutas, verduras, legumes e grãos integrais, são os mais indicados.

Desvendando o rótulo  

A nutricionista do Idec Laís Amaral alerta para alguns fatores que denunciam os maiores vilões dos alimentos industrializados.

"É preciso tomar cuidado com alimentos que apresentam açúcar, sal ou gordura como primeiro ingrediente. Além disso, quando há cinco ou mais nomes técnicos e incompreensíveis, é sinal de que o produto é ultraprocessado, portanto, evite", aconselha.

As informações sobre glúten, leite e derivados também devem estar bem expressas e apresentadas como “Alérgicos: contém leite”. 

Açúcar


Atualmente, não é obrigatória a apresentação da quantidade de açúcar nos rótulos (que aparecem como carboidratos na tabela nutricional). Mas, segundo a pesquisa do Idec, 98% dos participantes defendem a inclusão do açúcar na relação e 75% acreditam que a exigência da informação nutricional expressa por 100 gramas do produto seria melhor do que por porção.