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Estado do Ceará e município de Viçosa (MG) mostram caminhos para proteger crianças dos ultraprocessados nas escolas

Medidas locais de restrição aos alimentos ultraprocessados servem de modelo para projeto de lei federal focado no combate à obesidade infantil

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Gov.br

Atualizado: 

01/06/2026
Estado do Ceará e município de Viçosa (MG) mostram caminhos para proteger crianças dos ultraprocessados nas escolas
Foto - gettyimages
 

A restrição à oferta, à comercialização e à comunicação mercadológica de alimentos ultraprocessados no ambiente escolar tem avançado no Brasil como estratégia de proteção à infância, promoção da alimentação adequada e saudável e prevenção da obesidade. O tema foi o centro dos debates do evento “Alimentação saudável nas escolas brasileiras: experiências locais e perspectivas nacionais”, realizado neste mês, na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Organizada pelo Grupo de Estudos, Pesquisas e Práticas em Ambiente Alimentar e Saúde da Universidade Federal de Minas Gerais (GEPPAAS/UFMG), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Instituto Desiderata e a ACT Promoção da Saúde, a atividade mostrou que transformar evidências científicas em políticas públicas exige articulação política, apoio técnico e mobilização local.

A promoção da alimentação adequada e saudável nas escolas ganhou reforço com o Decreto nº 11.821/2023. A medida representa um marco institucional, que conecta as ações de enfrentamento à pobreza e à fome com a promoção da alimentação adequada e saudável, contribuindo para que crianças e adolescentes brasileiros não sejam expostos, dentro da escola, a um ambiente adverso ao seu desenvolvimento. A normativa possui caráter interministerial, contando com a assinatura do MDS, do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde.
A implementação dessas diretrizes traz coerência para o ambiente escolar, consolidando-o como um espaço de educação e proteção integral. Ao proteger o ambiente alimentar escolar, almeja-se que esses estudantes atuem como verdadeiros agentes de mudança, empoderados para liderar e impulsionar transformações saudáveis em suas famílias e comunidades.
A secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, Lilian Rahal, reforçou o papel central da escola na estratégia de governo. "A missão do MDS, sob o governo do presidente Lula, vai muito além do combate à fome. É garantir o acesso à alimentação adequada e saudável a todos os brasileiros. Nossa diretriz é superar a fome e, simultaneamente, frear a grave epidemia de obesidade, especialmente a obesidade infantil, que ameaça o futuro das nossas crianças e adolescentes”, lembrou.
“Para que essa estratégia tenha sucesso, a escola precisa estar no coração das nossas ações. Ela é um espaço central de proteção social, de cuidado e de formação de hábitos. Os recentes avanços em estados e municípios, induzidos pelo Decreto 11.821/2023, provam que o Brasil está pronto para aprovar uma lei nacional de proteção do ambiente alimentar escolar", acrescentou.

A partir do decreto, foi desenhada uma estratégia de indução federativa pelo MDS em parceria com o GEPPAAS/UFMG, oferecendo suporte técnico e metodológico para que os estados e os municípios brasileiros assumissem o protagonismo na criação de suas leis.

Como reflexo prático dessa estratégia indutora, experiências locais de sucesso foram compartilhadas na Câmara dos Deputados. No Ceará, a trajetória – detalhada no evento pelo deputado estadual Renato Roseno – envolveu diálogo entre sociedade civil, universidades, parlamentares, gestores públicos e Ministério Público. Mesmo diante de resistências de setores econômicos, municípios e escolas privadas, a mobilização política permitiu avançar na regulamentação por meio de decreto estadual.

Em Viçosa, a experiência apresentada pela vereadora Jamille Gomes destacou a importância da atuação direta junto à gestão municipal. A articulação com prefeitos e o suporte técnico viabilizado por meio da ação de apoio do MDS e do GEPPAAS/UFMG foram fundamentais para fortalecer a agenda local.

As duas realidades expostas mostram que a aprovação de leis é apenas uma etapa. A implementação depende de monitoramento, formação, participação das universidades, atuação dos conselhos e enfrentamento de barreiras locais, como limitações administrativas, resistências culturais e pressões econômicas.

Como resultado direto desse esforço de indução e apoio técnico, o país chegou neste mês de maio com: 8 leis municipais e estaduais aprovadas, 2 decretos estaduais publicados e 20 projetos de lei protocolados e tramitando pelo país. São territórios que decidiram proteger seus estudantes da exposição aos alimentos ultraprocessados.

Esse forte movimento nos territórios visa avançar regionalmente e também fortalecer a discussão sobre uma lei nacional, cuja proposta mais forte em tramitação é o Projeto de Lei nº 1401/2020, de autoria do senador Jaques Wagner. Nessa agenda de articulação federal, o MDS atua em conjunto com parceiros históricos da academia e da sociedade civil organizada, incluindo a ACT Promoção da Saúde, o Instituto Desiderata, o Idec e o Unicef.

Para a Coordenadora do GEPPAAS/UFMG, professora Larissa Mendes, o avanço nacional é urgente e ético: "Se a escola é um espaço de proteção, por que ela continua sendo um dos principais pontos de acesso aos alimentos ultraprocessados para crianças e adolescentes? A rede privada é a mais exposta, com 90% das escolas possuindo cantinas que comercializam ultraprocessados; a lei deve proteger a todos".
A pesquisadora reforça ainda que a medida traz benefícios diretos à gestão pública: "A regulação é custo-efetiva e previne gastos bilionários em saúde associados com ultraprocessados. A regulação é a medida mais barata e eficaz para o Estado brasileiro", concluiu.